"Desenvolva a neutralidade e a observação. Os índios chamam isto de "visão da águia": sair voando de dentro do burburinho dos eventos e, de cima, com uma perspectiva ampla, observar os acontecimentos sem identificação ou julgamentos. Ou, em outro exemplo: sair de dentro do rio caudaloso de nossa vida - onde estamos imersos até o pescoço - sentar na margem e observar. Quando dentro do rio, imersos até o pescoço, qualquer ondinha nos parece um vagalhão, mas quando nos sentamos à beira do rio, a ondinha novamente vira ondinha, e aí podemos ter uma perspectiva mais correta e um envolvimento menos sofrido com as coisas. Isto desenvolve uma profunda consciência da relatividade dos pontos de vista e, por conseguinte, o redimensionamento da nossa identificação e envolvimento com a transitoriedade da vida.
Gastamos grande tempo mental ficando angustiados por um passado que não podemos mais mudar e/ou ficando ansiosos por um futuro que ainda não chegou. Outra grande parte, ainda, gastamos sonhando acordados, delirando os nossos sonhos e desejos. E aí duas coisas ocorrem: uma: sobra pouco tempo para a consciência do aqui-e-agora, o presente, que é onde efetivamente a vida acontece; duas: quando precisamos da mente para as coisas que ela foi feita para funcionar - a nossa vida humana diária - esta mente tem dificuldade em se concentrar, em estar presente, inteira, poderosa, centrada. Concentrando- nos no presente desfrutamos mais da vida. A meditação é um ótimo treinamento para aprender a viver no presente, nos livrando das pré-ocupações e desenvolvendo uma mente verdadeiramente eficiente.
Evite as comparações. Lembra do "jardim do vizinho é sempre mais bonito" ? Ledo engano! Grande armadilha! Mal sabemos que o vizinho ao olhar nosso lado também pensa a mesma coisa sobre algum aspecto de nós...Considerar este fato, te livra do peso dos julgamentos alheios e te torna mais centrado em teu próprio eixo.
Quando a vida nos apresenta algum evento desconfortável, algum obstáculo ou algum confronto, normalmente o que é acionado em nosso corpo/mente é o "automático" lutar ou fugir. A adrenalina está sempre pronta para desencadear ação. Mas a verdade é que na maior parte das vezes não seria necessário lutar nem fugir, bastaria relaxar e observar, e a partir daí agir com consciência, ou então deixar os acontecimentos se desenrolarem naturalmente. Vamos investir mais nas endorfinas! Faça Yoga ou Tai Chi Chuan!Desta forma, em todos os níveis e setores da nossa vida, podemos integrar firmeza e simultaneamente relaxamento - só firmeza gera rigidez e só relaxamento gera moleza !
Todos nós ao nascer ganhamos um espelho. Este espelho é, então, colado no nosso peito. E assim vivemos toda a nossa vida, refletindo o outro e vendo no (espelho do) outro o nosso reflexo. Hermann Hesse disse: "Se você odeia uma pessoa, odeia algo nela que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda."Viver considerando isto, vai desenvolvendo nossa compaixão, nossa tolerância, nossa empatia e nossa solidariedade para com as nossas fraquezas e dificuldades e as dos outros.
Cem por cento do que somos e vivemos (inclusive o que supomos ser acidentes) é fruto de nossas escolhas e opções. Conscientes ou inconscientes. Viver consciente disto desenvolve nosso discernimento e nossa responsabilidade para com a vida, com as pessoas e com nossas atitudes."
Ah, lógica desnecessária.. sabes que não me agradas, e muito menos existes. Ide aos Céus, aqui não te quero.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Os quatro fantasmas
"Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e acabei descobrindo (não lembro através de qual autor, sinto muito) as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental.
São elas:
1) sabemos que vamos morrer;
2) somos livres para viver como desejamos;
3) nossa solidão é intrínseca;
4) a vida não tem sentido.
Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta também, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal." - Martha Medeiros
São elas:
1) sabemos que vamos morrer;
2) somos livres para viver como desejamos;
3) nossa solidão é intrínseca;
4) a vida não tem sentido.
Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta também, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal." - Martha Medeiros
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
"É preciso amar o inútil...
Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza. (...)"
Lygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes Telles
sexta-feira, 31 de julho de 2009

Música.
O filme começa, a trama se desenrola, e todos nós somos roteiristas.
Música.
O sorriso se arma, os pés se espalham, move-se o corpo, fecham-se os olhos, abre-se o inconsciente.
O filme começa, a trama se desenrola, e todos nós somos roteiristas.
Música.
O sorriso se arma, os pés se espalham, move-se o corpo, fecham-se os olhos, abre-se o inconsciente.
Música.
Sente-se a droga. A droga do corpo, a droga dos hormônios.
Música.
Cenas são criadas, coisas são colocadas, coisas são apagadas, coisas são lembradas.
Música.
Vem a nostalgia, sensações que, sem a música, esqueci-me de sentir.
Música.
O toque tão esperado, o sorriso tão imaginado, o sonho tão engendrado.
Música.
A solidão desejada, o túnel alongado, a tristeza ufanada.
Música.
O êxtase em demasia, a libertação do desabafo outrora guardado.
Música.
Braços abertos, chuva, pulos, risos.
Música.
Lábios sentindo-se, braços entrelaçados, cabelos bagunçados.
Música.
Lágrimas correndo, sonhos se perdendo, sonhos se criando.
Música.
Criança, balança, comilança, dança.
Música.
Viagem que viaja, sensações de algo que não passa.
Música.
Loucura, imaginação.
Música.
Vida.
Vida, uma música.
Música, uma vida.
Música.
Cenas são criadas, coisas são colocadas, coisas são apagadas, coisas são lembradas.
Música.
Vem a nostalgia, sensações que, sem a música, esqueci-me de sentir.
Música.
O toque tão esperado, o sorriso tão imaginado, o sonho tão engendrado.
Música.
A solidão desejada, o túnel alongado, a tristeza ufanada.
Música.
O êxtase em demasia, a libertação do desabafo outrora guardado.
Música.
Braços abertos, chuva, pulos, risos.
Música.
Lábios sentindo-se, braços entrelaçados, cabelos bagunçados.
Música.
Lágrimas correndo, sonhos se perdendo, sonhos se criando.
Música.
Criança, balança, comilança, dança.
Música.
Viagem que viaja, sensações de algo que não passa.
Música.
Loucura, imaginação.
Música.
Vida.
Vida, uma música.
Música, uma vida.
Escrevi faz tempo... e nem entendo mais o que sentia quado escrevi.

Tão linda e tão imperfeita a existência
aquela que é mútua com a inexistência
a inexistência de perfeição
a inexistência de soluções
a falta de soluções que enlouquecem o existir
o cárcere da busca da felicidade, a rua sem saída da fuga pela solução
a loucura da diferença
o desigual que permite a inexistência de soluções
o desigual que se não existisse, seria a solução
aquela que é mútua com a inexistência
a inexistência de perfeição
a inexistência de soluções
a falta de soluções que enlouquecem o existir
o cárcere da busca da felicidade, a rua sem saída da fuga pela solução
a loucura da diferença
o desigual que permite a inexistência de soluções
o desigual que se não existisse, seria a solução
será?
Algum desejo real de solução?
O desigual são dois espelhos refletindo sem ordenação
mostra-me o certo, mostra-me o feliz
mostra-me o errado, mostra-me minha imagem
pois não mostra o real?
o real é diferente em cada espelho
apesar de ser igual em todos, a reflexão não
A eterna busca de soluções para tudo...
a infindável esperança, e mais infindável ainda desesperança do mudar
o mudar que muda para cada um
o mudar que torna tudo desigual
o desigual que não é ruim,
mas cujos problemas são de sua responsabilidade
problemas que só são gerados pela corrida atrás de problemas
não existe solução geral
existe solução real
mas esta, por ser real, não soluciona
o que vale é fazer algo
algo que pareça ser certo... mesmo que não adiante nada
mesmo que o acertando seja o errando para outrem
tão lindo, tão desfigurado, tão simples, tão enlouquecedor o caminho
o caminho marcado, o caminho a se fazer
tudo aparentemente tão imperfeito, tudo demasiadamente perfeito.
Algum desejo real de solução?
O desigual são dois espelhos refletindo sem ordenação
mostra-me o certo, mostra-me o feliz
mostra-me o errado, mostra-me minha imagem
pois não mostra o real?
o real é diferente em cada espelho
apesar de ser igual em todos, a reflexão não
A eterna busca de soluções para tudo...
a infindável esperança, e mais infindável ainda desesperança do mudar
o mudar que muda para cada um
o mudar que torna tudo desigual
o desigual que não é ruim,
mas cujos problemas são de sua responsabilidade
problemas que só são gerados pela corrida atrás de problemas
não existe solução geral
existe solução real
mas esta, por ser real, não soluciona
o que vale é fazer algo
algo que pareça ser certo... mesmo que não adiante nada
mesmo que o acertando seja o errando para outrem
tão lindo, tão desfigurado, tão simples, tão enlouquecedor o caminho
o caminho marcado, o caminho a se fazer
tudo aparentemente tão imperfeito, tudo demasiadamente perfeito.
“Esta é você. De olhos fechados, chuva, nunca pensou em fazer algo assim.Você nunca se viu como... não sei como descreveria, como uma pessoa que gosta de olhar pra lua, ou que passa horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber. Deve saber de que tipo de pessoa estou falando, talvez não saiba. Seja como for, você gosta de ficar assim, lutando contra o frio...e sentindo a água penetrando por sua camiseta....e tocando sua pele e da sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés. E do cheiro...e o som da chuva batendo nas folhas. De todas as coisas que estão nos livros que você não leu. Essa é você....quem teria imaginado...você.”
Eu tinha esse textinho guardado nos meus blocos de notas de "coisas legais" que acho pela internet afora, mas me esqueci de guardar o autor. Enfim, não fui eu que escrevi. :P
Eu tinha esse textinho guardado nos meus blocos de notas de "coisas legais" que acho pela internet afora, mas me esqueci de guardar o autor. Enfim, não fui eu que escrevi. :P
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
A tristeza permitida
"SE EU DISSER PRA VOCÊ QUE HOJE acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões — se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente — as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down...”. Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor — até que venha a próxima, normais que somos. "
- Martha Medeiros
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