sexta-feira, 31 de julho de 2009


Música.
O filme começa, a trama se desenrola, e todos nós somos roteiristas.
Música.
O sorriso se arma, os pés se espalham, move-se o corpo, fecham-se os olhos, abre-se o inconsciente.
Música.
Sente-se a droga. A droga do corpo, a droga dos hormônios.
Música.
Cenas são criadas, coisas são colocadas, coisas são apagadas, coisas são lembradas.
Música.
Vem a nostalgia, sensações que, sem a música, esqueci-me de sentir.
Música.
O toque tão esperado, o sorriso tão imaginado, o sonho tão engendrado.
Música.
A solidão desejada, o túnel alongado, a tristeza ufanada.
Música.
O êxtase em demasia, a libertação do desabafo outrora guardado.
Música.
Braços abertos, chuva, pulos, risos.
Música.
Lábios sentindo-se, braços entrelaçados, cabelos bagunçados.
Música.
Lágrimas correndo, sonhos se perdendo, sonhos se criando.
Música.
Criança, balança, comilança, dança.
Música.
Viagem que viaja, sensações de algo que não passa.
Música.
Loucura, imaginação.
Música.
Vida.
Vida, uma música.
Música, uma vida.

Escrevi faz tempo... e nem entendo mais o que sentia quado escrevi.


Tão linda e tão imperfeita a existência
aquela que é mútua com a inexistência
a inexistência de perfeição
a inexistência de soluções
a falta de soluções que enlouquecem o existir
o cárcere da busca da felicidade, a rua sem saída da fuga pela solução
a loucura da diferença
o desigual que permite a inexistência de soluções
o desigual que se não existisse, seria a solução
será?
Algum desejo real de solução?
O desigual são dois espelhos refletindo sem ordenação
mostra-me o certo, mostra-me o feliz
mostra-me o errado, mostra-me minha imagem
pois não mostra o real?
o real é diferente em cada espelho
apesar de ser igual em todos, a reflexão não
A eterna busca de soluções para tudo...
a infindável esperança, e mais infindável ainda desesperança do mudar
o mudar que muda para cada um
o mudar que torna tudo desigual
o desigual que não é ruim,
mas cujos problemas são de sua responsabilidade
problemas que só são gerados pela corrida atrás de problemas
não existe solução geral
existe solução real
mas esta, por ser real, não soluciona
o que vale é fazer algo
algo que pareça ser certo... mesmo que não adiante nada
mesmo que o acertando seja o errando para outrem
tão lindo, tão desfigurado, tão simples, tão enlouquecedor o caminho
o caminho marcado, o caminho a se fazer
tudo aparentemente tão imperfeito, tudo demasiadamente perfeito.
“Esta é você. De olhos fechados, chuva, nunca pensou em fazer algo assim.Você nunca se viu como... não sei como descreveria, como uma pessoa que gosta de olhar pra lua, ou que passa horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber. Deve saber de que tipo de pessoa estou falando, talvez não saiba. Seja como for, você gosta de ficar assim, lutando contra o frio...e sentindo a água penetrando por sua camiseta....e tocando sua pele e da sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés. E do cheiro...e o som da chuva batendo nas folhas. De todas as coisas que estão nos livros que você não leu. Essa é você....quem teria imaginado...você.”

Eu tinha esse textinho guardado nos meus blocos de notas de "coisas legais" que acho pela internet afora, mas me esqueci de guardar o autor. Enfim, não fui eu que escrevi. :P