quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Meus estudos =)

Resumo do texto de Estevão Chaves de Rezende Martins. Cultura e Poder, pp. 29-60. In Cultura e Poder. São Paulo. Editora Saraiva, 2007.


Para o autor, a dimensão coletiva contém um componente atemporal, que seria responsável pelas permanências, ou seja, pela cultura histórica que se mantém e torna-se base para a formação cultural das coletividades e indivíduos do presente e futuro. A “posse” da educação, no formato de ensino, desde o Estado Moderno, é a principal responsável pela sustentação e constituição de identidades culturais históricas.

“(...) a dominação política se esteia em elementos históricos, em particular na simbologia das origens e da continuidade, para pretender a legitimidade. A legitimidade é a aptidão estrutural do sistema político para receber adesão, supondo-se que os mecanismos de sua justificação encontram base (real ou forjada) na memória histórica da coletividade (pelo menos da coletividade dominante).” (p. 34)

Há a explicação das “quatro vias” da construção de identidades, que predominantemente são entrelaçadas: identidade por assimilação ou apropriação, identidade por rejeição, identidade por contraste e identidade por diferença.

Em uma análise sobre a amplitude do termo cultura, que surgiu recentemente, pode-se pegar o enunciado do antropólogo Clifford Geertz, para o qual “a cultura não é um acréscimo ornamental de sofisticação supérflua de um ou de outro indivíduo – a cultura é um elemento constitutivo da condição humana.”(p.42). Esta extensão da compreensão do termo demorou a chegar neste ponto, e atualmente há o reconhecimento de cultura como fator subjetivo e coletivo de afirmação identitária.

A diversidade de adjetivos ganhos pelo termo cultura pode ser agrupada em dois conjuntos. O primeiro de caráter étnico (cultura inglesa, cultura americana, cultura chinesa, etc.) e o segundo por “temas” (cultura política, erudita, popular, literária, etc.).

A política de Estado tem seu alicerce no sentimento criado de nacionalismo, que dá “forma à massa” e cria a imaginada e arquitetada nação – essa forma ideológica de política, o Estado-nação, dá-se a partir do final do século XVIII. Partindo da identificação com a pátria, com o líder ou com os símbolos e heróis nacionais, entre outros exemplos, há a geração de “uma vontade coletiva de lealdade” ao Estado.

“Os Estados buscam justificar seu poder conformando o modo de pensar de seus cidadãos por intermédio dos sistemas de educação e de comunicação de massa. Inúmeras vezes, ao longo dos séculos XIX e XX, encontra-se o motivo da defesa dos valores e do modo próprio de ser e de viver para sustentar ataques – verbais ou armados – a outros Estados.” (p. 47)

A formação cultural das identidades dá-se por três diferentes e complementares níveis: a identidade nacional, a social e a pessoal. Todas essas constituídas a partir do meio de vida de interações. Para Mathews, um dos pesquisadores citados no texto, a cultura é sistematicamente moldada e manipulada pelo Estado e/ou pelo mercado.

As informações, que influenciam na construção, edificação e propagação cultural, podem ser de fontes sistematizadas, institucionalizadas (plano governamental – educação, de forma direta e indireta; comunicação – indústria da notícia, fontes antigas e contemporâneas) ou de fontes assistemáticas, informais (o que circula no plano das mentalidades individuais e sociais).

Para Castells, outro autor citado no texto, a circulação de idéias e de bens culturais é alimentada por uma multiplicidade de fontes, de acordo com as diferentes culturas de origem, com as respectivas histórias e com as geografias próprias (“obsessão deliberada pelo multiculturalismo” – Castells).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Texto furtado de uma amiga... (Marina)

Poema da Eternidade

Quando quiseres ser alguém,
Alguém que valha a pena notar,
Seja aquele que vive o hoje.
Não olhes para trás tentando refazer
Os caminhos já desviados.
Nem queiras supor o amanhã
Para tentar desvendar o que dele virá.
Vive o agora e olha o "em torno".
Percebe de onde vem a dor do mundo,
Que isso é o que importa.
E deixa fluir de ti
A Esperança que conduzirá à cura.
Não sejas um obstáculo aos sonhos
Mas uma ponte para a imaginação.
E assim teu tempo será ilimitado.
Pressentirás as origens e o fim,
Sem medo, sem culpa, sem dor.
E estarás vivendo
Unicamente o Hoje.
E ao vivê-lo cuida para que,
Acima de tudo,
Não queiras imortalizar tua passagem.
Deixa que ela se dilua,
Nas pequenas coisas da vida como um olhar, um sorriso, um afago.
Que tua passagem possa ser apagada rapidamente,
Como se apagam as marcas na areia.
Pois o que ficará de tí,
Já ficou impresso nas almas
dos que te cercavam.
E esses levarão a outrem
O que deixaste impregnado.
O mesmo sorriso, o gesto de amor e atenção,
O afago.
E essa marca de amor, que se conduz pelas pessoas,
É a tua eternidade.

Cecília Bonna

Ciência Política, ah.

Palpável, sim
Não.
A realidade do país
A máquina do estado
Analisando o quebra-cabeças do poder
O território da "comunidade imaginária"
Assim
Para assim
poder participar daquela discussão de boteco
sobre a situação do país
e sentir-se de consciência limpa
afinal
sim, afinal?
afirmar a cidadania
o quê?
O quê.
- Por isso que este país está do jeito que está!
- É.
- Mais uma cerveja, para comemorar a vitória da seleção!
Nação.
Pátria.
Eu.
Eu?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existencia e desvendar seus mistérios."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Desenvolva a neutralidade e a observação. Os índios chamam isto de "visão da águia": sair voando de dentro do burburinho dos eventos e, de cima, com uma perspectiva ampla, observar os acontecimentos sem identificação ou julgamentos. Ou, em outro exemplo: sair de dentro do rio caudaloso de nossa vida - onde estamos imersos até o pescoço - sentar na margem e observar. Quando dentro do rio, imersos até o pescoço, qualquer ondinha nos parece um vagalhão, mas quando nos sentamos à beira do rio, a ondinha novamente vira ondinha, e aí podemos ter uma perspectiva mais correta e um envolvimento menos sofrido com as coisas. Isto desenvolve uma profunda consciência da relatividade dos pontos de vista e, por conseguinte, o redimensionamento da nossa identificação e envolvimento com a transitoriedade da vida.

Gastamos grande tempo mental ficando angustiados por um passado que não podemos mais mudar e/ou ficando ansiosos por um futuro que ainda não chegou. Outra grande parte, ainda, gastamos sonhando acordados, delirando os nossos sonhos e desejos. E aí duas coisas ocorrem: uma: sobra pouco tempo para a consciência do aqui-e-agora, o presente, que é onde efetivamente a vida acontece; duas: quando precisamos da mente para as coisas que ela foi feita para funcionar - a nossa vida humana diária - esta mente tem dificuldade em se concentrar, em estar presente, inteira, poderosa, centrada. Concentrando- nos no presente desfrutamos mais da vida. A meditação é um ótimo treinamento para aprender a viver no presente, nos livrando das pré-ocupações e desenvolvendo uma mente verdadeiramente eficiente.


Evite as comparações. Lembra do "jardim do vizinho é sempre mais bonito" ? Ledo engano! Grande armadilha! Mal sabemos que o vizinho ao olhar nosso lado também pensa a mesma coisa sobre algum aspecto de nós...Considerar este fato, te livra do peso dos julgamentos alheios e te torna mais centrado em teu próprio eixo.


Quando a vida nos apresenta algum evento desconfortável, algum obstáculo ou algum confronto, normalmente o que é acionado em nosso corpo/mente é o "automático" lutar ou fugir. A adrenalina está sempre pronta para desencadear ação. Mas a verdade é que na maior parte das vezes não seria necessário lutar nem fugir, bastaria relaxar e observar, e a partir daí agir com consciência, ou então deixar os acontecimentos se desenrolarem naturalmente. Vamos investir mais nas endorfinas! Faça Yoga ou Tai Chi Chuan!Desta forma, em todos os níveis e setores da nossa vida, podemos integrar firmeza e simultaneamente relaxamento - só firmeza gera rigidez e só relaxamento gera moleza !

Todos nós ao nascer ganhamos um espelho. Este espelho é, então, colado no nosso peito. E assim vivemos toda a nossa vida, refletindo o outro e vendo no (espelho do) outro o nosso reflexo. Hermann Hesse disse: "Se você odeia uma pessoa, odeia algo nela que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda."Viver considerando isto, vai desenvolvendo nossa compaixão, nossa tolerância, nossa empatia e nossa solidariedade para com as nossas fraquezas e dificuldades e as dos outros.

Cem por cento do que somos e vivemos (inclusive o que supomos ser acidentes) é fruto de nossas escolhas e opções. Conscientes ou inconscientes. Viver consciente disto desenvolve nosso discernimento e nossa responsabilidade para com a vida, com as pessoas e com nossas atitudes."

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os quatro fantasmas

"Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e acabei descobrindo (não lembro através de qual autor, sinto muito) as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental.

São elas:

1) sabemos que vamos morrer;

2) somos livres para viver como desejamos;

3) nossa solidão é intrínseca;

4) a vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera. Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta também, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal."
- Martha Medeiros

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

"É preciso amar o inútil...

Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas da vida. A música. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza. (...)"

Lygia Fagundes Telles